Provas: BLOG28.09.201018:51
Troquei a balada pela corrida. Tomei chuva, passei frio, mas terminei a prova

Todo mundo torce para acordar num domingo com sol. Quem corre – e vai participar de uma prova – reza para que o tempo esteja ruim. Uma chuvinha quem sabe. Mas não o que aconteceu no último domingo, na Meia Maratona das Pontes, de São Paulo. Como se não bastassem as cinco subidas e decidas, choveu muito, ventou demais e também estava frio.
Às 22h da noite anterior, fui para a cama e desliguei o celular. Depois de um tempão, ia rolar a baladinha que eu mais adoro. Lugar pequeno, sem placa na porta, com a melhor música da cidade, que só faz festa de vez em quando e só entra com nome na lista. Meio metido isso, mas nesse caso faz toda a diferença. Me sinto em casa, conheço um monte de gente e só vou embora quando a luz se acende. Estou contando isso porque acordei tão cedo, que o primeiro pensamento foi de que a pista ainda deveria estar bombando. E estava. Falei no Blackberry com uma amiga que estava saindo de lá.
Eram cinco da manhã. Estava escuro e frio. Mas dava para ver que o asfalto continuava seco. Resolvi ir de carro porque a corrida começava e terminava no mesmo lugar, perto do Hotel Transamérica. Antes de chegar lá, o mundo desabou. Mas aí já era tarde demais. Eu teria virado para o lado e dormido até o meio-dia se tivesse chovido antes. Mas se tem uma coisa que é difícil é voltar atrás quando já comecei a fazer algo.
A vantagem é que sempre tem uma meia dúzia de malucos como você, além do pessoal da Run&Fun, a assessoria que me treina. Muita gente desistiu, me contaram. E eu era uma das corajosas, segundo eles. Ficamos juntos na largada, ouvi as orientações do Mario Sergio e comecei a correr às 7h da manhã, completamente ensopada. Não é agradável. Ainda mais num dia frio.
O corpo demora mais a esquentar e tudo pesa. Com a pista alagada, eu sentia cada tênis com pelo menos um quilo a mais. Quase nada, mas imagine correr 21k com duas tornozeleiras. A orientação era manter meus batimentos em 70% e foi o que eu fiz. Não faltou fôlego, em compensação eu não tinha mais pernas no último quilômetro. Nessa hora isso já nem importa porque o que te arrasta para o final é a cabeça. Eu só não contava com uma subida e um decida nos últimos 200 metros de prova. Quando contornei o viaduto e dei de cara com a rampa, pensei: isso só pode ser sacanagem.
Fiz a prova em mais ou menos 2 horas e 10 minutos. Tempo bom pelas condições. Foi a minha quarta meia maratona e a mais difícil até hoje. Conversando com um amigo, ele diz: você termina achando um absurdo o que você fez consigo mesmo, mas daqui a pouco já está treinando para outra. Eu já estou.