DIETA
O que você nunca quis acreditar sobre perder peso
Seja sincera: se sua frequência na academia fosse alta, se conseguisse recusar sempre o terceiro bolinho de arroz e tivesse feito as pazes com suas pernas curtas e coxas roliças, sabe que a briga com a balança teria chegado ao fim. Não é? Nós contamos tudo o que você precisa saber se quer mesmo ser magra e feliz do jeito que é
Por Rosana Faria de Freitas
1 Pense sempre do jeito ‘magro’
Cá entre nós, você acha que o cérebro da Gisele Bündchen é gordo ou magro? Pois é. Por mais que a imprensa noticie que a viu entrincheirada por barras de chocolate, esqueça e acredite na realidade nua e crua, ela pensa como a sílfide que é. E você? Se quer controlar o consumo de doces e fura o combinado comendo um bombom, o que você pensa: “Ainda bem que foi só um” ou “Perdido por um, perdido por dez...”? Caso tenha marcado a segunda opção, tsc, tsc, tsc. Essa é a reflexão de quem raciocina “gordo” — a culpa leva não só à ansiedade como ao descontrole. “Pensamentos distorcidos geram impulsos distorcidos. Quem é compulsivo tem atitudes semelhantes às do alcoólatra. É preciso ficar atenta para identificar os indícios desses comportamentos automáticos”, diz Marco Antonio De Tommaso, psicoterapeuta, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.
Claro, não é todo mundo que come por compulsão; pode ser por simples prazer. É aquela velha história de relaxar no fim de semana — sentar no bar com os amigos, pedir uma cervejinha e mandar ver na baixa gastronomia. E, aí, quanto mais fritura e empanados tiver na mesa, melhor.
Vire o jogo Antes de encher a bolsa de barrinhas, você tem que mudar o modo de operação do seu jeito de comer de “gordo” para “magro”. “Comer tem que ser uma ocasião prazerosa, e não uma atitude súbita de escape”, diz Cibele Crispim, especialista em fisiologia do exercício e nutricionista da RG Consultoria Nutricional. Pode ser uma caixa de bombom ou uma porção de pastel: antes de se afundar e morrer de arrependimento interrompa o ciclo e encare o erro como oportunidade de aprendizado, e não como fracasso. Você aprenderá a pensar “magro”. É um exercício parar, refletir, perceber a escorregada e se recompor.
2 Se tem tendência para engordar, não relaxe nunca
Você já encarou todas as dietas do planeta — da sopa, do abacaxi, da lua, dos pontos... E após anos brigando com a balança chegou ao peso dos sonhos. Ao se olhar no espelho, grita: “Sou magra!” Devagar com o andor... “Quem foi gordo ou tem tendência para engordar irá manter a propensão. É só um gordo emagrecido”, diz De Tommaso.
O endocrinologista Alfredo Halpern, professor da Universidade de São Paulo, faz eco na sentença. “As pessoas nascem com um corpo determinado pela genética. Não entender isso é violar e afrontar o organismo. Pior: o indivíduo pode provocar o reganho de peso.” Segundo ele, quando há essa predisposição, “forças engordativas” — substâncias e mecanismos do organismo, como metabolismo mais lento — entram em ação para engordá-la novamente. “Por isso, o controle de peso terá que ser feito para o resto da vida.”
Vire o jogo Se tem tendência para engordar, você só ficará magra caso tenha reeducado seus hábitos alimentares. Além de comer de forma saudável, é preciso manter o olho no tamanho das porções, porque até mesmo os alimentos que fazem bem à saúde podem engordar se ingeridos de forma indiscriminada. Importante: quem fica que nem um ioiô cada vez terá mais problemas com a balança. “O efeito sanfona modifica o metabolismo. O organismo precisa permanecer durante dois anos no mesmo patamar para se acostumar e se manter nele. Ao afinar e engordar várias vezes num curto período, o corpo tende a retornar ao peso mais elevado”, esclarece a nutricionista Cintia Pettinati, especialista em nutrição esportiva e fisiologia do exercício e professora de educação física. Então, fique ligada: alcance o peso desejado e permita a adaptação do seu organismo ao novo patamar metabólico.