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Sexo & relacionamento
A ciência do coração partido
Você está cansada de ouvir que vai superar a dor do fim daquele relacionamento. E vai mesmo. Se ainda não se convenceu, aqui vai o empurrãozinho definitivo para voltar à ativa
Por Yara Achôa e Tara Ali // Fotos Alex Silva
Extra da matéria:
• Kit prático

Em algum canto, enterrado entre os lencinhos de papel amassados e os acordes de All by Myself, há uma razão pela qual terminar uma relação é tão difícil. Os sintomas de quem sofre da síndrome do coração partido, também conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo, são parecidos aos de um ataque do coração — falta de ar, dor no peito e enorme produção de hormônios do stress. Uma pesquisa do American Journal of Cardiology com 70 pessoas com esse diagnóstico verificou que elas conseguiam amenizar os efeitos após tomar aspirina ou remédios para o coração. Daí os pesquisadores passaram a examinar também as razões do súbito desespero pós-separação. Mergulhamos no assunto e vamos ajudá-la a navegar pela dor de cotovelo como pessoas crescidas.

24 horas depois

Fisicamente
Seja você quem deu ou recebeu o fora, o cenário é arrasador. Você pode se sentir triste, aliviada, anestesiada, liberta ou doente. Ou tudo ao mesmo tempo. A conexão entre a dor emocional e a física é verdadeira. Quando se experimenta uma perda, ocorrem mudanças no fluxo sanguíneo cerebral, fazendo com que o córtex anterior paracingulado — responsável por regular a dor física e o sofrimento — se torne mais ativo. “É o que chamamos de somatização”, diz a psicóloga Laila Pincelli, de São Paulo. A depressão também pode se instaurar: um estudo do periódico Journal of Personality and Social Psychology mostrou que, dos 144 indivíduos que haviam sido rejeitados nas oito semanas anteriores, 40% permaneciam clinicamente deprimidos e 12% estavam com depressão severa.

Emocionalmente
“Não pode ser verdade.” A frase martela em sua cabeça no primeiro estágio da dor: a negação. Corpo e cérebro estão em um estado similar ao de uma doença mental, enquanto você emerge de uma situação dominada por pensamentos como “Eu tinha certeza de que ele era o homem da minha vida”, “O que fazer com o apartamento que nós compramos?” e “Sempre desconfiei daquela vaca”. Nos primeiros dias, você responde a um trauma.

“Não é o momento de refletir sobre a separação e as lições que deve tirar dela”, diz a consultora Karen Masman, autora de The Uses of Sadness (inédito no Brasil). Surfe no tsunami emocional e assista a Marley & Eu. Um estudo da Universidade do Sul da Flórida, nos EUA, mostrou que 89% das pessoas se sentem melhor vertendo lágrimas sinceras (de cebola não servem) por liberar os hormônios do stress.

A boa notícia
Se a coisa não andava bem, você contribuiu com sua saúde. A ruptura pode enfraquecer um pouco o coração no curto prazo, mas ficar em uma relação ruim seria pior. Um estudo de 2007 da Universidade College London, na Inglaterra, mostrou que uniões estressantes poderiam provocar 34% mais chances de problemas cardíacos, quando comparadas às felizes.

Coração
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